Um Pouco mais de Luz sobre “Musicoterapia”

//Um Pouco mais de Luz sobre “Musicoterapia”

Um Pouco mais de Luz sobre “Musicoterapia”

Segundo a Federação Mundial de Musicoterapia, esta “consiste no uso da música e dos seus elementos (som, ritmo, melodia, harmonia), para facilitar e promover a comunicação, a aprendizagem, a mobilização, a expressão, a organização ou outros objetivos terapêuticos relevantes, a fim de responder às necessidades físicas, psíquicas, sociais e cognitivas de um cliente ou grupo de clientes”. (2008)

Porquê uma terapia através da Música?  

De acordo com Juliette Alvin, percussora da utilização da musicoterapia com pessoas com deficiência intelectual, a música é a mais social de todas as artes e tem um enorme poder no processo de integração social.

Por outro lado, os níveis de frequência ou registo de sons podem afetar o estado de tensão/relaxação de quem escuta; a melodia, a harmonia determinam o significado emocional.

Está comprovado cientificamente que a música induz em cada um de nós respostas fisiológicas e psicológicas.

Respostas Fisiológicas

A música afeta o sistema nervoso autónomo, que é a base da nossa reação emocional; estimula respostas reflexas, induz as fases neurológicas e sensoriais de excitação e relaxação e acelera ou diminui funções do corpo como a respiração, o ritmo cardíaco, a pressão arterial ou o ritmo digestivo. Além disso, a música é um meio de gerar força física, já que o ritmo estimula a ação muscular e induz a ação corporal.

Respostas Psicológicas

Dependendo da qualidade da relação/interação entre o terapeuta e o cliente, os principais efeitos psicológicos da música sobre o individuo são nos domínios da comunicação, da identificação, da associação, da fantasia, da expressão pessoal e do conhecimento de si mesmo.

De facto, a música induz um reportório muito amplo de respostas, imediatas ou diferidas, voluntárias ou de caráter automático. Tem o poder de evocar, associar e integrar e, por esse facto, converte-se num recurso de eleição para a auto-expressão e libertação emocional.

Enquanto fenómeno grupal, mobiliza e gera coletivamente estados emocionais. Na terapia individual, os sons permitem constituir-se numa ponte de comunicação pré-verbal, de expressão arcaica ligada ao “aqui e agora”.

Quais os objetivos da Musicoterapia na (re)habilitação de Pessoas com deficiência intelectual? 

Os objetivos da musicoterapia na intervenção com pessoas com deficiência intelectual podem-se agrupar em cinco categorias:

  1. Condutas sociais e emocionais

As atividades musicais que incorporam a interação e o movimento, canções e atividades rítmicas podem proporcionar a estimulação necessária para adquirir competências sociais adequadas e são um forte impulsionador da expressão emocional pessoal.

  1. Competências motoras

A música é por excelência um estímulo potente para o desenvolvimento motor, permitindo à pessoa com deficiência intelectual explorar o seu próprio corpo através do movimento espontâneo e orientado. Além disso, é possível trabalhar competências relativas a conceitos tais como a lateralidade, direccionalidade, flexibilidade e agilidade.

  1. Competências de comunicação

Através do som e dos seus componentes, a musicoterapia poderá ajudar a desenvolver a linguagem expressiva, recetiva, a intenção comunicativa a escrita ativa e a capacidade de seguir instruções.

  1. Apoio para potenciar a área cognitiva

As pessoas com deficiência intelectual têm dificuldade para filtrar estímulos relevantes. A musicoterapia, através de jogos musicais, tais como a repetição de sons a partir de canções repetitivas nas suas letras, pode ser um meio efetivo para conseguir avançar nesse domínio. De igual modo, através da utilização de instrumentos musicais ou objetos de uso quotidiano, pode-se promover o desenvolvimento de competências cognitivas, utilizando exercícios de diferenciação ou classificação de sons.

  1. Música como atividade de lazer

A música é um dos meios privilegiados de estimular e promover a animação das pessoas com deficiência intelectual, o seu bem-estar emocional, as relações interpessoais e o convívio.

Da nossa experiência de mais de 25 anos, a intervenção através da música, no Elo Social, tem contribuído para:

  • a descoberta e o desenvolvimento de aptidões neste domínio, contribuindo para a auto-realização de alguns utentes e para a sua inclusão social;
  • a promoção da interação e das relações pessoais entre os utentes;
  • a sua mobilização a nível psicomotor, constituindo-se um verdadeiro motor para a ação e a interação;
  • a expressão emocional e comunicacional a nível verbal e não-verbal;
  • a expressão corporal e artística, promotores da integração social;
  • a melhoria do bem-estar emocional e qualidade de vida dos utentes.
Texto: António Martins

 

 

By | 2017-10-12T09:22:08+00:00 Outubro 12th, 2017|Uncategorized|Comentários fechados em Um Pouco mais de Luz sobre “Musicoterapia”

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